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  • Vera Galante

LULA NA CHINA

A viagem que seria a quarta viagem internacional de Lula durante os 100 primeiros dias do governo Lula acabou tendo início na quarta-feira, dia 12 de abril, e terminará domingo, dia 16/4 – portanto a visita a China ainda está em curso quando escrevo.


O que já de se notar e acompanhar de agora em diante é se tudo o que Lula falou vai se cumprir realmente. Logo na chegada, em visita ao centro de pesquisas da Huawei em Xangai, Lula disse que aquela visita “quer[ia] dizer ao mundo que não tem preconceito” nas suas relações comerciais, em uma clara “alfinetada” nos EUA, que têm sérias restrições com a tecnologia usada pela Huawei que, segundo eles, teria poder de transmitir informações privilegiadas que passassem por suas redes para o governo da China. Lula pode não ter preconceito, mas a Huawei foi deixada de fora da implementação do 5G no Brasil e não há sinais de que participará.


Também em reunião fechada com Xi Jinping disse que “ninguém vai proibir que o Brasil aprimore suas relações” com a China. Essa é mais uma declaração retórica e mais uma alfinetada nos EUA. Nenhum país pode, realmente, proibir relações de outro país com quem quer que seja, mas pode pressionar. Os EUA entendem que o Brasil tem um forte comércio com a China, e que depois de quatro anos de um comportamento totalmente hostil ao país, é hora de uma aproximação ao menos diplomática.


Mas em um afago aos EUA, o Brasil deixou de assinar o tratado do “Caminho da Seda” com a China porque esse tratado versa sobre participação da China na infraestrutura dos países signatários, o que não interessa aos EUA e, na verdade, nem ao Brasil. Há mecanismos pontuais de participação da China em negócios no Brasil, examinados caso a caso.


Mas, como diz a máxima das relações internacionais, os interesses estão acima das amizades no entendimento entre países. Então vejamos alguns dos interesses de cada país. À China interessa manter boas relações com o Brasil por conta de seu tamanho e importância na América Latina, o país é a porta de entrada no Mercosul, o que ajuda a desfazer qualquer resistência aos produtos chineses. Também interessa muito participar do mercado de energia, enfrentando muita resistência do governo brasileiro, que não mostra tanta resistência à fabricação de automóveis chineses por aqui. Os chineses também querem aumentar suas exportações ao Brasil – em 2022 o Brasil exportou US$28,7 bilhões a mais do que importou da China. Lula quer aumentar as exportações além das comodities - defendeu a venda de 20 jatos comerciais da Embraer à China (a venda ou não deve ser anunciada hoje, dia 14/4).


O Brasil não está contente com o superavit que já tem no comércio com a China – quer mais. O Ministro Carlos Fávaro, da agricultura, retornou à China como parte da comitiva de Lula ao país. Antes, no dia 20 de março, Fávaro liderou uma outra comitiva com vários empresários do agro brasileiro para discutirem acordos com a China. Agora volta, como um recado a Xi Jinping que o agro continua a ser o carro-chefe das exportações ao país.


Ainda há um interesse especial de Lula nessa viagem, este mais geopolítico do que comercial: o fim da guerra da Rússia e da Ucrânia. Lembremos que em 2009, Lula esboçou um plano de paz entre o Irã e os EUA que atraiu apoio de vários países, mas não foi efetivado. Agora ele se coloca novamente à disposição da Rússia e da Ucrânia com o mesmo propósito. Ele sabe bem que sem o aval e o apoio da China, que é próxima de Moscou, nenhum plano de paz avança. Emmanuel Macron, presidente da França, também teve a mesma ideia em sua visita à China um pouco antes de Lula. Se o objetivo de Lula for, ao menos em parte, bem-sucedido, ele pode solidificar sua liderança internacional iniciada ainda antes da sua posse, na conferência do meio-ambiente no Egito. A credibilidade internacional, ele espera, ajudará no aumento de popularidade no Brasil entre a população e, principalmente, no Congresso Nacional.


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