• Vera Galante

CAMPANHAS ELEITORAIS EM CURSO

Uma campanha eleitoral nada mais é do que uma campanha de convencimento de que este ou aquele candidato é melhor do que seu ou seus oponentes. Isso vale para qualquer campanha – representante de turma, síndico de prédio, prefeito, governador ou presidente da república.


Vamos tratar aqui somente da candidatura à presidência da república. O Brasil é um país gigante em território e qualquer candidato ou candidata, para ter sucesso precisa de ser conhecido em todo o território por ampla maioria da população. Também precisa de saber o que deve falar e com quem falar para convencer os que ainda não estão convencidos de que ele ou ela é a melhor opção. Daí a importância das pesquisas eleitorais – algo que todo candidato desdenha, mas que são os termômetros de suas campanhas. Partidos e campanhas também encomendam as suas próprias pesquisas para afinar ainda mais o discurso.


Se as eleições fossem hoje, segundo as pesquisas, o ex-presidente Lula venceria quase certamente no primeiro turno. O presidente Jair Bolsonaro está bem atrás dele em números absolutos, mas há recortes que valem a pena serem analisados, apesar de o cenário estar praticamente estável.


Lula pode se dar ao luxo de jogar praticamente parado, mas tem se movimentado para convencer os empresários de que ele é uma opção viável e que não oferecerá nenhuma surpresa econômica. Tem feito isso ressaltando seu passado como presidente e a aliança com Geraldo Alckmin que tem um passado de previsibilidade de ações. Ele trabalha para convencer os 35% do eleitorado que, segundo a última pesquisa do Datafolha, o rejeitam. A pesquisa já mapeou quem são estes e Lula já arregaçou as mangas.


Bolsonaro é rejeitado por 55% dos eleitores, dentre eles pretos, mulheres (61% dos 55%), católicos, jovens e mais pobres. Os coordenadores de campanha haviam traçado uma estratégia que lhe ofereceria menos riscos de rejeição: escolher uma mulher para vice-presidente, a ex-ministra e deputada federal Tereza Cristina. Mas ele preferiu, sem consultar a coordenação de sua campanha, dizer que lançará o General Braga Netto como seu vice. A campanha vai ter que correr atrás de outra estratégia para convencer os que o rejeitam (não votariam nele de jeito nenhum).


Outro dado importante da pesquisa é que 70% dos eleitores dizem que já decidiram em quem votar. Restam 30% que podem ser atraídos por um ou por outro candidato, se empregar a estratégia certa.


Os candidatos Ciro Gomes, que está em terceiro lugar e os demais que pontuam abaixo de 3% lutam para convencerem estes 30% e outros que já estão decididos mas podem mudar o voto se alguma alternativa aos atrair. A chamada terceira via não tem apresentado nada que motive o eleitor indeciso (os 30%) a lhe dar a chance de, quem sabe, conseguir uma vaga no segundo turno das eleições.


Ainda faltam pouco menos de 100 dias até as eleições, mas já dá para ver as estratégias (ou falta delas) das campanhas dos principais candidatos.


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