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  • Equipe EMPOWER

ESQUERDA TERÁ A MENOR BANCADA EM 20 ANOS

Um novo ciclo político-eleitoral teve início efetivo com a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Porém, o novo período de governo só começará para valer com o fim do recesso do Congresso Nacional, em 1º de fevereiro. A filiação partidária dos ministros de Lula já é uma boa estimativa do apoio legislativo que o seu governo terá. Mas será somente a partir de fevereiro, com as primeiras votações na Câmara e no Senado, que saberemos, na prática, o tamanho da nova coalizão governista. A derrotada campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PL) difundiu uma narrativa de que uma eventual vitória de Lula teria como consequência necessária a implantação do ideário econômico, social e cultural do PT e de seus aliados à esquerda.

Como veremos a seguir, nada mais distante da verdade. É só fazermos algumas contas bem simples. Vou utilizar como referência a métrica recentemente desenvolvida pela Folha de São Paulo (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2022/09/o-que-faz-um-partido-ser-de-direita-ou-esquerda-folha-cria-metrica-que-posiciona-legendas.shtml) para posicionar os partidos políticos brasileiros no eixo ideológico esquerda-centro-direita.

Com base nesta metodologia, elaborei o gráfico abaixo. Ele apresenta o número de deputados federais eleitos pelos partidos de esquerda, de centro e de direita nas oito últimas eleições, desde a década de 1990 até hoje.


Em 2022, os partidos de esquerda elegeram somente 125 das 513 cadeiras da Câmara. Esse número é insuficiente sequer para atingir a maioria simples do plenário. Em outras palavras, Lula simplesmente não terá votos no Congresso para governar com uma agenda de esquerda. Não é por outra razão que o seu terceiro governo é integrado também por ministros indicados pelos partidos de centro (que elegeram 128 deputados) e até mesmo por uma sigla do campo dos partidos de direita (que elegeu nada menos que 260 parlamentares). Por outro lado, em perspectiva histórica, também chama muito a atenção o fato de que o PT e os demais partidos de esquerda (PSB, PDT, PCdoB, PSOL etc) terão, a partir do ano que vem, a menor bancada parlamentar das últimas duas décadas, superando somente as bancadas eleitas nas eleições dos anos 1990 (vencidas pelo tucano FHC). Comparativamente, nas outras duas eleições vencidas por Lula, a esquerda fizera, respectivamente, 151 cadeiras em 2002 e 163 cadeiras em 2006. E nas duas eleições vencidas pela petista Dilma Rousseff, a esquerda também se saiu muito melhor do que agora (179 e 145 deputados em 2006 e em 2010, respectivamente). Os números, portanto, falam por si mesmos. A esquerda saiu das urnas em outubro não apenas como o menor dos três blocos ideológicos da Câmara, como também com a menor força parlamentar dos últimos vinte anos.


Por esta e por outras razões, portanto, a narrativa eleitoral de que Lula governará com um programa puramente de esquerda carece nitidamente de sustentação empírica.

(uma versão deste artigo foi publicada em 30/12/22 no site do Espaço Democrático)





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