• Rogério Schmitt

BOLSONARO JÁ PAROU DE CRESCER

Maio ainda nem chegou ao fim, mas acredito já ser possível demonstrar que foi interrompida a recente tendência de crescimento das intenções de voto no presidente Bolsonaro. E o favoritismo do ex-presidente Lula ainda está longe de ser ameaçado.


Ironicamente, maio seria também o mês em que diversos apoiadores do presidente Bolsonaro (como o deputado Arthur Lira, presidente da Câmara) vinham apontando como o “mês da virada”, no qual o atual presidente ultrapassaria o candidato petista.

Isto não aconteceu, e nem vai mais acontecer. Pelo menos não neste mês que está em curso.


Vamos analisar a seguir os resultados agregados de 40 pesquisas nacionais de opinião, conduzidas desde o início do ano por 8 diferentes empresas de pesquisa. O indicador selecionado serão as intenções de voto estimuladas em Lula e em Bolsonaro.


Na prática, vamos comparar as 5 pesquisas realizadas em janeiro, com as 8 de fevereiro, com outras 10 de março, com as 8 de abril e com as 9 que já vieram a público em maio até o momento.


Como podemos observar na figura acima, as médias de intenções de voto em Lula permaneceram absolutamente estáveis ao longo de todo o ano, oscilando entre 41,7% e 43,2% dos entrevistados. Após ligeiras quedas em fevereiro e março, Lula recuperou espaço em abril e maio. Mas todas estas variações estão dentro das margens de erro das pesquisas.


Por sua vez, também é nítido o crescimento contínuo de Bolsonaro. Entre janeiro e abril, a média das intenções de voto no atual presidente passou de 24,6% para 32,6% (um aumento expressivo de oito pontos percentuais). E o maior crescimento de Bolsonaro ocorreu justamente em abril, após Sergio Moro ter abandonado a corrida presidencial.


No entanto, fica claro que maio foi o primeiro mês de estabilidade na trajetória de Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto. Ele não retrocedeu, mas o presidente claramente parou de crescer. Se já bateu ou não no teto, somente o tempo poderá dizer.


A vantagem de Lula sobre Bolsonaro na média das pesquisas é de exatos 10 pontos percentuais, restando pouco mais de 4 meses até a data do primeiro turno. Parece muito pouco provável que estas posições se invertam até 2 de outubro. Mas parece extremamente provável que ambos se enfrentem novamente em um segundo turno (previsto para 30 de outubro).



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