• Rogério Schmitt

A RECUPERAÇÃO DE BOLSONARO NAS PESQUISAS É SUSTENTÁVEL?

Acreditem se quiserem. O movimento é, por enquanto, quase imperceptível. Mas ele não pode ser ignorado. Os índices de popularidade do governo Bolsonaro nas pesquisas têm crescido sucessivamente desde a virada do ano. Será que estamos diante de uma mera flutuação aleatória? Ou será que se trata de um movimento sustentável? Num caso e no outro, quais poderiam ser as consequências políticas da recuperação de Bolsonaro nas pesquisas?

Comecemos olhando com frieza para os números das pesquisas de avaliação do atual governo, comparando os dois últimos meses de 2021 com os dois primeiros meses de 2022.

Na média de 6 pesquisas realizadas em novembro do ano passado por diferentes institutos, as taxas de avaliação positiva e negativa do presidente Bolsonaro foram, respectivamente, de 23,4% e de 54,4%. Já em dezembro, na média de 8 pesquisas diferentes, estes mesmos números foram de 22,8% e de 52,7%, respectivamente.

Portanto, o saldo de popularidade do governo nas pesquisas (avaliação positiva menos avaliação negativa) já variara (ainda que marginalmente) a favor de Bolsonaro no último bimestre de 2021 - oscilando de 31,0 para 29,9 pontos percentuais negativos.

Já no primeiro mês de 2022, a popularidade presidencial andou de lado. Na média de 6 pesquisas divulgadas em janeiro, as taxas de avaliação positiva e negativa do governo foram, respectivamente, de 23,3% e de 53,5%.

Mas as maiores mudanças têm sido observadas agora em fevereiro. É verdade que ainda estamos na primeira quinzena do mês, e que até o momento foram divulgadas apenas 3 pesquisas (uma quarta ainda será divulgada na data de hoje). Seja como for, a média mensal da avaliação positiva do governo Bolsonaro subiu para 25,5%, ao mesmo tempo em que a média da avaliação negativa caiu para 51,4%.

Em outras palavras, o saldo negativo de popularidade do presidente caiu de 30,2% em janeiro para 25,9% em fevereiro. Se a comparação for com novembro do ano passado, houve um movimento de pouco mais de 5% do eleitorado brasileiro na direção de Bolsonaro.

Seria precipitado afirmar, neste momento, que estamos diante de um movimento sustentável da opinião pública a favor do presidente. Os números que apresentei são médias entre diferentes pesquisas (com diferentes metodologias). E precisamos levar em conta que as pesquisas de opinião por amostragem têm margens de erro de 2 ou de 3 pontos percentuais, as quais também poderiam explicar as variações observadas.

Movimentos eleitorais realmente sustentáveis requerem alguns meses de sucessivas observações das mesmas tendências. E ainda não dispomos de uma série histórica de pesquisas longa o suficiente para bater o martelo. Mas também não é possível descartar a hipótese de que algumas placas tectônicas da opinião pública estejam se movimentando neste início de mais um ano de sucessão presidencial.

Seja como for, nada do que aconteceu até agora altera o nosso cenário eleitoral básico: nas eleições de outubro, o presidente Bolsonaro muito provavelmente será derrotado pelo ex-presidente Lula. Mas é muito importante continuar monitorando as pesquisas de avaliação do governo Bolsonaro, pois elas são as melhores preditoras que conhecemos da intenção de voto no atual presidente.



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