• Equipe EMPOWER

A DEBANDADA É SINTOMA (E NÃO A CAUSA) DA FRAQUEZA DO GOVERNO

Um dos comerciais da TV brasileira mais famosos nos anos oitenta e noventa perguntava qual seria o segredo de uma marca de biscoitos. Aquela campanha publicitária tinha um slogan do qual muitos ainda se recordarão: o biscoito vendia mais porque estava sempre fresquinho ou estava sempre fresquinho porque vendia mais?


Essa lembrança me veio à mente por ocasião do recente pedido de demissão de dois importantes secretários do Ministério da Economia. Em entrevista, o ministro Paulo Guedes escolheu usar o termo “debandada” para se referir ao episódio.


Alguns comentaristas econômicos e operadores do mercado financeiro têm propagado a versão de que a demissão dos dois secretários teria sido uma sentença de morte para a agenda liberal de Guedes ou até, mais amplamente, para as chances da aprovação no Congresso das reformas macroeconômicas.


Essa é uma visão tecnocrática e rudimentar do processo político. A direção da causalidade está invertida! E é justamente aqui que entra a comparação com o comercial de biscoitos.


A debandada dos assessores do ministro não faz a menor diferença para as chances de aprovação de reformas no Congresso. Isso continuará sendo verdade mesmo que outros assessores, porventura, também se afastem amanhã ou depois. Ou até mesmo na hipótese de o próprio Paulo Guedes deixar de responder pela pasta.


O fator determinante para as chances de aprovação no Congresso das reformas econômicas será sempre a capacidade de os governos formarem maiorias partidárias estáveis, organizando coalizões ativas na Câmara, no Senado e na Esplanada dos Ministérios.


O governo Bolsonaro é um governo de minoria no poder legislativo, pois não conta com uma coalizão partidária majoritária que possa garantir um mínimo de previsibilidade para o andamento de sua agenda de projetos.


Portanto, a debandada da equipe de Paulo Guedes não pode ser incluída entre as causas do fracasso da sua agenda liberal. Ela é, na verdade, a consequência da condição minoritária do governo Bolsonaro. Aliás, os próprios secretários demissionários citaram a impotência legislativa do governo como fatores determinantes para a debandada.


Também é igualmente fraco o argumento de que o fracasso das reformas cogitadas pelo Ministério da Economia se deva ao seu conteúdo liberal. Ao contrário. Nunca houve uma legislatura no Congresso tão favorável às políticas de livre mercado.


Vou insistir: o vilão do filme é a falta de talento do governo Bolsonaro para formar maiorias políticas que governem em coalizão. O resto é comercial de biscoitos.





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