• Benício Schmidt

RAZÕES DE BOLSONARO


O candidato Jair Bolsonaro, segundo todas as pesquisas de opinião disponíveis, será eleito presidente do Brasil neste próximo domingo (28/10/2018). Não é uma certeza, mas uma probabilidade altíssima.


- Quais as principais e sintéticas razões deste sucesso eleitoral?

Bolsonaro tem sido parlamentar por 27 anos consecutivos, com votações erráticas quanto a políticas econômicas, sociais e de direitos humanos. No geral, uma carreira discreta, nada exponencial para torná-lo uma referência importante no cenário político. Possui atributos pessoais típicos a um personagem que habita o universo do “salvacionismo”, típico do populismo brasileiro e latino-americano, em geral, que não precisam ser aqui sublinhados porque fartamente conhecidos.


Depois de 14 anos de governo hegemonizado por presidências petistas, claramente iriam surgir forças políticas organizadas e ancoradas pelas tendências e valores conservadores quanto aos costumes, rebeldes frente a alguns desmandos na gestão do Estado e motivadas a reatar o dinamismo da economia, deteriorada brutalmente desde 2014. Um caldo de cultura que tem provocado movimentação internacional a favor de forças mais liberais na economia e arcaicamente conservadoras quanto à cultura e aos costumes, principalmente relativas aos direitos de minorias em processo de conquista de direitos.


Ainda que fortemente amparado por apoios militares, sempre alertas para as “correções de rumo” do domínio dos poderes civis sobre o Estado, o Congresso Nacional e o Judiciário, o candidato teve a seu favor o enorme desgaste da esquerda, representando pela hegemonia petista e principalmente pelo caudilhismo centralizador de seu líder máximo, hoje um prisioneiro (Lula da Silva).

Com este material à mão, Bolsonaro joga na retranca, não participa de debates públicos, nem antes, nem depois do atentado sofrido que quase o matou; além de liberar seu ciclo mais íntimo e familiar para exarar propostas inconstitucionais, atrabiliárias e, principalmente, desautorizar permanentemente sua equipe econômica coordenada pelo conhecido e liberal economista Paulo Guedes. Ou seja, como expressão de um real e plausível programa de governo, surge como a síntese de uma proposta contraditória, sem bases analíticas inteligíveis e sem assegurar segurança, seja à população em geral, seja aos agentes econômicos centrais. Um mistério em progresso nebuloso.


Resta, então, assinalar que seu grande suporte vem dos erros dos adversários. Meses antes da prisão, Lula comandou campanhas de provocação ao Judiciário ao longo do processo do Lava Jato que o vitimou, bem como a seus aliados durante anos de poder. Irritações e conflitos a parte, isso o incentivou a repetir a dose, colocando juízes e tribunais sob os holofotes e criando na opinião pública um sentimento de desalento e negação das instituições democráticas do país. É a situação atual.


A oposição a Bolsonaro não conseguiu criar uma Frente Popular e Nacional para enfrentá-lo em território mais racional e passível de diálogos efetivos com o público. As pesquisas, por exemplo, apontavam a ascensão do candidato Ciro Gomes, experiente parlamentar e gestor público, que poderia propiciar uma aliança com o substituto de Lula no PT e com isso representar mais efetivamente os reais e concretos dilemas brasileiros.


O então ainda poderoso PSDB lançou um candidato conhecido, experiente, mas que se jogou nos braços de uma coalizão “centrista”, mas de corte conservador, patrimonialista e rentista. Fadada ao insucesso, teve esta hipótese confirmada na abertura das urnas, com votação ínfima, confirmando que a expectativa de maior tempo de exposição na mídia (rádio e TV) não suplantaria o trabalho com as redes sociais, a grande novidade deste evento eleitoral. Deu no que deu!


Para o segundo turno, e de maneira contraditória devido aos conflitos ideológicos e oportunistas dentro do PT, a Frente foi tentada. Todos os possíveis protagonistas afastaram-se do convite, por cálculos eleitorais frente às próximas eleições às prefeituras, e, também, por duvidar da capacidade de gestão colegiada tendo o PT no comando.


Assim, um candidato com pouca expressão pessoal, cercado de interesses contraditórios que relacionam uma política econômica liberal, mas contendo traços de estatismo óbvio, xenofobia, com uma política de costumes retrógrada e embrulhada pela intolerância típica de orientações autoritárias, vai se impondo com abertura à licenciosidade frente à violência assustadora presente na sociedade brasileira e um ataque errático às instituições brasileiras. Já mergulhamos em experiências desta natureza (Jânio, Collor, etc.), com desenlaces trágicos. Mas, desta vez a colaboração dos adversários é um traço marcante.

Quem viver verá!


#BOLSONARO #ELEIÇÕES2018 #PESQUISASELEITORAIS

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