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  • Equipe EMPOWER

O XADREZ ELEITORAL DOS EUA


O Brasil acompanha, a cada 4 anos, as eleições presidenciais americanas com intenso interesse. As eleições presidenciais de nossos vizinhos mais próximos, como as dos países membros do MERCOSUL, por exemplo não causam o mesmo envolvimento da população em geral, e há muitas explicações para esse fenômeno. É claro que diplomatas, exportadores, importadores e estudiosos de relações internacionais acompanham todas as eleições com interesse, mas nenhuma desperta a curiosidade popular que desperta a eleição nos EUA.  Nossa intenção aqui é lançar um pouco de luz sobre os candidatos que disputam a presidência daquele país – ambos com chances reais de vitória.

Há motivos reais para acompanharmos de perto o processo eleitoral nos EUA e avaliarmos o que o resultado pode representar para o nosso país. A disputa pela presidência está acirrada e ganhou contornos inesperados. O Presidente Trump tem a vantagem de ser o Presidente e de ter a visibilidade que o cargo lhe confere, portanto não precisa de se tornar conhecido no país. O ex vice-presidente Joe Biden também tem reconhecimento nacional – um pouco menor por ter sido vice-presidente e por estar longe do poder há 4 anos. Biden entrou na disputa já tarde, e demorou a ganhar tração. Mas hoje se apresenta como alternativa muito viável aos eleitores insatisfeitos com as ações de Trump.

A retórica de Trump – inclusive seus embates internacionais – tem endereço certo: o eleitor americano. Trump construiu sua imagem, desde quando era apresentador do programa “O Aprendiz” como aquele que toma decisões sozinho, sem medo e não admite ser contestado. Ele age da mesma maneira na presidência: seus conselheiros já aprenderam que o Presidente não os ouve, então se preparam sempre para apagar incêndios e não para preveni-los, o que seria o mais natural. Foi assim em assuntos tão diversos quanto a aproximação com a Coréia do Norte e, atualmente, a abertura das escolas no país. As decisões dele não seguem um plano estratégico, mas seu instinto. Desde seu tempo de empresário vê-se que seus instintos nem sempre estão corretos – já abriu falência várias vezes e, no governo, já teve que voltar atrás em várias decisões (sem nunca admitir o fato, claro). Esse “instinto” é a causa de seu sucesso e também da recente queda de sua popularidade – suas decisões equivocadas no enfrentamento da pandemia do novo Coronavírus e seus constantes embates com o Congresso americano, inclusive com membros de seu próprio partido, além de enfrentamentos desnecessários com países aliados têm acendido a luz amarela entre seus eleitores. Muitos republicanos já declararam o seu não voto em Trump – alguns, inclusive, declararam apoio a Joe Biden. Na arena internacional é visto com desconfiança – trata mal países aliados e favorece países com tradição autoritária, como a Russia, por exemplo. A maneira como trata o Brasil também é inconstante – ao mesmo tempo que morde, assopra, como diz o ditado. Aumenta tarifas, para depois diminuí-las, declara apoio à entrada do país na OCDE, mas não indica sua inclusão.

Se Trump traz seu estilo intempestivo adquirido na iniciativa privada, Joe Biden, por sua vez, traz sua longa carreira de parlamentar, que foi consolidada por seu estilo agregador, conciliador e racional. A vida pessoal de Biden é marcada por sofrimentos – sua primeira esposa e filha faleceram em um acidente de carro e recentemente perdeu um filho com câncer, fatos públicos que ajudam a defini-lo como alguém com empatia e desejo sincero de resolver os problemas dos cidadãos do país – todos muito afetados pelas crises provocadas pela pandemia do coronavírus. Biden foi senador pelo estado de Delaware por 36 anos, a maior parte dos quais como membro e depois como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA. Sua experiência internacional é grande e sua apreciação pelos países aliados também é grande. Biden entende a geopolítica mundial e entende o papel dos EUA neste tabuleiro. Seu eventual governo deverá se concentrar muito mais no cumprimento de tratados internacionais (muitos dos quais o Brasil também é signatário) e de cláusulas ambientais e sociais, o que pode apresentar um problema para a política atual do Governo Bolsonaro, que não demonstra especial apreço por causas ambientais.

E o Brasil? O Presidente Bolsonaro, seus auxiliares mais próximos e seus filhos, não esconde sua preferência por Donald Trump, a quem enxerga como aliado político e de quem julga desfrutar a amizade. O Chanceler Ernesto Araújo, grande promotor do alinhamento automático do Brasil com os EUA, também não contempla a possibilidade de uma eventual vitória de Biden. Mas é bom começar a pensar! Se o democrata vencer, o Brasil terá que estar preparado a dar garantias de preservação do meio ambiente, de respeito aos direitos humanos e de transparência se quiser preservar acordos com o governo dos EUA, o que forçará uma reformulação de políticas externas e internas também.

As eleições presidenciais americanas impactam não só o Brasil, mas todos os outros países do mundo. Devemos acompanhar com atenção.



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