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  • Luís Henrique Pedroso

A GEOPOLÍTICA DO 5G: EUA E CHINA NO PÁREO

Atualizado: Jul 30

A tecnologia 5G está cada vez mais próxima da realidade em diversos países ao redor do mundo, inclusive aqui no Brasil. Especialistas falam sobre uma grande revolução tecnológica em um horizonte muito próximo. Estima-se que o 5G trará um acréscimo na casa dos $2 trilhões ao PIB mundial até 2030 somente nas áreas de mobilidade, saúde, manufatura e varejo. É muita coisa! Se o 4G trouxe a realidade do mundo digital para nosso dia-a-dia, com smartphones, streamings e conectividade em vários novos níveis, a rede 5G permitirá uma mudança ainda mais significativa. É o início de uma integração e automação visando indústrias e cidades totalmente conectadas. Naturalmente, importantes peças do tabuleiro geopolítico mundial se movimentam para estar na vanguarda dessa revolução. Como era de se esperar, EUA e China lideram essa corrida tecnológica e os embates seguem quentes entre as duas potências.

Essa tendência de maior interconectividade não deve ser confundida com maior inclusão. A tecnologia 5G deverá deixar o mundo mais conectado, mas nem todo mundo. Ainda, ela possivelmente continuará marginalizando nações menos desenvolvidas e regiões à margem dos grandes centros urbanos. A implementação das redes 5G não é nada barato e os interesses por trás são muitos. Traduzindo para uma língua que todos entendemos, é especulado que as redes 5G gerem mais de USD13 trilhões em receitas até 2035. Só a produção de equipamentos para instalação e operação das redes 5G deve gerar quase USD5 trilhões nos próximos anos. E quem não quer uma fatia desse bolo? Certamente os dois principais players globais querem.

A China definitivamente quer e a Huawei é o caminho. A gigante chinesa é uma das produtoras de equipamentos para instalação do 5G, ou era. A maior produtora de equipamentos de comunicação do mundo sofreu um duro golpe neste ano. Em maio, os EUA baniram a venda de semicondutores para a Huawei por empresas que utilizassem “tecnologia americana”. Virtualmente quase todo mundo! Sem estes semicondutores a produção da Huawei fica limitada, e, consequentemente, limita o seu poder de prospectar novos clientes. E isso acaba de acontecer no Reino Unido. O Premier Boris Johnson acaba de banir a Huawei de fornecer os equipamentos necessários para implementação da 5G por lá. Verdade seja dita, o motivo foi tão político quanto econômico, ou pragmático, pelo receio de uma não-entrega dos equipamentos. As ações do governo chinês em Hong Kong foram muito criticadas pelo Reino Unido e o descontentamento pôde claramente ser visto pela represália à Huawei. Já que na China é mais difícil separar o público do privado, especialmente nestas gigantes, golpear a Huawei é basicamente golpear o governo.

E é isso que o governo dos EUA adora fazer. Se Donal Trump e Mike Pompeo o fazem gratuitamente, imaginem quando se está em jogo um mercado de trilhões. Nos últimos anos os ataques por parte do governo dos EUA foram muitos e em várias áreas. Nenhum militar, é bom deixar claro. Barreiras comerciais de importação e exportação, pressões políticas e econômicas para que aliados suspendessem aquisições de equipamentos da Huawei e até mesmo o coronavírus (ou como chama Trump, chinese vírus ou kunFlu) virou “arma” contra a gigante chinesa. O efeito prático das ações supramencionadas foram outros, no entanto. Empresas privadas seguem buscando e obtendo algum sucesso em driblar as medidas impostas pelos EUA para continuarem fornecendo e/ou adquirindo materiais e produtos da Huawei. Claro que sim, o value for Money é, em muitos casos, significativamente melhor do que dos concorrentes.

O que veremos nos próximos meses é a continuidade deste jogo em que muitos países se tornam proxies da disputa geopolítica entre EUA e China pelo 5G. Já entraram nessa conta o Canadá, Singapura e mais recentemente o Reino Unido. Aqui no Brasil, debates sobre esse assunto ganham corpo e forma e os leilões começam a entrar no radar de operadoras e fornecedores. Atenção especial deverá ser dada à Alemanha, onde há previsão de encaminhamentos nos próximos meses sobre qual fornecedora utilizará. O embate do 5G reflete bem o atual momento de conflitos comerciais constantes entre os EUA e a China e que respinga em todo mundo.





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