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  • Equipe EMPOWER

É OFICIAL: TRUMP E BIDEN SÃO CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA DOS EUA


Biden até semana passada e Trump até dia 24/8 eram somente candidatos a candidatos de seus respectivos partidos. Joe Biden concorreu com vários pré-candidatos, inclusive a Senadora Kamala Harris, hoje candidata a vice-presidente na chapa liderada por ele. Foi deixando vários pelo caminho até ser consagrado único concorrente pelo Partido Democrata.

Trump não enfrentou oposição dentro do Partido Republicano – há muitos descontentes com ele, mas ninguém o desafiou para a ser o candidato oficial do Partido que o elegeu. Mike Pence novamente é seu candidato a Vice-Presidente.

A pandemia provocada pelo novo Coronavirus provocou mudanças e adaptações em todos os aspectos das nossas vidas, inclusive na maneira como a campanha está sendo feita. Trump sempre usou muito bem as mídias sociais durante sua campanha vitoriosa em 2016, durante todo o período de sua presidência e agora na campanha de 2020. Biden, por sua vez, está aprendendo. Ambos os candidatos se beneficiam do atual cenário de movimentos restritos – são idosos e talvez não aguentassem o ritmo frenético de vários comícios no mesmo dia, muitas vezes em cidades ou estados diferentes. Agora jogam parados. Trump um pouco menos porque conta com o aparato da Presidência e porque nunca respeitou as regras do isolamento.

A convenção do Partido Democrata, que ocorreu semana passada, mostrou um candidato moderado, disposto ao consenso e a ouvir. Os discursos de Biden e de sua companheira de chapa, Kamala Harris estavam afinadíssimos, e parece que continuará assim - ambos trazem mensagem de unidade. Os dois focaram em Trump (e não no Partido Republicano) em seus discursos na convenção, focando em seu estilo de governar, sua personalidade errática e falta de preparo para o cargo. Os Republicanos que declararam publicamente seu apoio a Biden carregam um peso enorme: o ex Secretário de Estado, o General Collin Powel e o ex governador do estado de Ohio, John Kasich que concorreu à nomeação do Partido Republicano à Presidência em 2016. Os dois são unanimidade – respeitadíssimos como pessoas sérias e honestas que colocam o interesse da nação acima dos interesses partidários. Outros oradores da convenção abordaram questões importantes da campanha, como o desarmamento, igualdade de oportunidades para negros, mulheres, gays... Biden foi apresentado como um homem que sofreu revezes terríveis, mas que superou todos eles e se tornou um ser humano empático e firme nos seus posicionamentos. Segundo o Partido, só ele e Harris poderão colocar os EUA de volta nos trilhos da ciência, da empatia e do desenvolvimento trabalhando ao lado de aliados históricos.

Trump, por sua vez, se apresenta como o único que se coloca entre o sonho americano e a anarquia. Trump denuncia Bernie Sanders, a quem acusa de representar a esquerda radical, de ter “sequestrado” o Partido Democrata. Teria sido muito mais fácil para ele ter Sanders como oponente neste pleito do que Biden, que não desperta paixões. Faz acusações infundadas, cita fatos e teorias sem comprovação, e fala pouco em Pence, seu Vice. Ele é o Partido. Interessante que em sua fala no primeiro dia da convenção, ele sempre falava “eu” fiz, “eu” consegui até que se deu conta que era um partido, então abriu um parêntese para dizer que onde ele falava “eu”, que os outros entendessem “nós”, e continuou a falar na primeira pessoa. Na convenção do Partido Republicano chama a atenção a falta de grandes nomes como, por exemplo, do ex Presidente George W. Bush (os dois ex presidentes democratas vivos discursaram na convenção endossando Biden). Também não estão programados discursos de governadores de estados importantes. Mas toda a família Trump – os filhos, a namorada de um dos filhos e a esposa – terão discursado até o final da convenção. Trump também falará todos os dias. Ainda é cedo para avaliar os efeitos que ambas as convenções terão, se é que terão, nas campanhas dos dois candidatos daqui para a frente.

São pouco mais de 70 dias até as eleições! Os Democratas conclamam a população a votar (lembrando que o voto não é obrigatório), seja pessoalmente ou pelo correio. Trump lança dúvidas quanto à eficiência dos Correios e prefere que as pessoas que não puderem votar pessoalmente não votem de jeito nenhum.

Algumas vantagens e desvantagens dos candidatos: Biden é conhecido nacionalmente por não ser um homem polêmico e por ser uma pessoa de princípios. Tem a seu favor o fraco desempenho de Trump na administração das crises ocasionadas pela Covid-19, a fraca atuação de Trump na arena internacional, e a situação desanimadora em que se encontra a economia americana – além, claro, de ser Trump um homem imprevisível que não tem um plano claro de governo. Contra ele tem a idade: 78 anos (Trump tem 74 anos, mas está pleiteando o seu 2º mandato. Caso eleito terá 78 anos em 2024). 

Trump tem o ônus e o bônus de estar concorrendo ao segundo mandato. Tem a seu favor a máquina do governo, a visibilidade inerente ao cargo (para o bem e para o mal) e os comícios que faz desde que assumiu a presidência. Ele tem seguidores fiéis. Contra ele, ironicamente, pesa o fato de estar concorrendo ao segundo mandato – ele não pode falar mal do que já fez, portanto tem que insistir que tudo foi acertado e prometer mais do mesmo. Alguns índices importantes patinam, principalmente na economia. Também contra ele pesa a falta de empatia pelas vítimas da Covid-19 e a demora em adotar medidas nacionais de combate ao vírus.

Apesar de Biden estar liderando nas pesquisas hoje, ele não conseguiu uma liderança folgada ainda. Trump ainda pode reverter o quadro e vencer as eleições. A corrida agora é garantir o maior número de delegados possível para garantir a presidência – lembrando que não é o voto popular que elege o presidente dos EUA, mas os votos do Colégio Eleitoral (Hillary Clinton venceu em 2016 pelo voto popular). Dos 538 delegados que escolherão o futuro presidente, 211 ainda não estão definidos. Segundo o site Real Clear Politics, hoje, 25/8 Biden pode contar com 212 delegados e Trump com 115. A batalha, como disse, é pelos 211. Como dizem os americanos, it’s still too close to call.

PS – Biden está sempre citado antes de Trump somente pelo fato de a convenção do Partido Democrata ter acontecido primeiro. 



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